Artigo de Opinião
Conferência do Meio Ambiente
As questões ambientais como
processo de discussão entre pessoas, comunidades, sindicatos, universidades,
países e instituições internacionais é uma premissa que não se faz ignorar. Com
o advento do Renascimento, a expansão das grandes navegações, o estabelecimento
do capitalismo, da modernidade e da pós-modernidade, faz-se necessária uma
indagação – como nosso estilo de vida consumista e hedonista pode prejudicar o
mundo em que vivemos? Vivemos em um mundo perigoso, um
mundo onde se vive com as tensões entre o global e o local, o universal e o
singular, a cultura e a modernização, o instantâneo e o durável, o espiritual e
o material. Neste mundo cheio de quebras de paradigmas, temos nós a certeza
indubitável de que os recursos naturais do nosso planeta não são eternos, pois os
nossos recursos são a matéria prima de um planeta global, onde tudo é
interligado de forma complexa e simples, onde nada está separado, onde vivemos
em um espírito de interdependência com a raça humana nas suas mais variadas
formas de expressão cultural e expressão humana. Entramos em um século
perigoso, um tempo onde carecemos de paradigmas e exemplos, uma época onde a
indústria armamentista é uma realidade, um tempo onde as guerras continuam,
onde a humanidade tem o poder de acabar consigo mesma através do poderio
atômico da guerra. As potências atuais como os Estados Unidos da América e
Rússia convivem com um arsenal atômico preocupante. Com o fim da URSS, muitos
armamentos de guerra ficaram nas mãos dos novos países criados ou foram
comercializados com grupos terroristas ao redor do globo. A fome é outra
problemática do mundo, pois vivemos em uma civilização onde cerca de um bilhão
de pessoas vivem com a realidade de algum tipo de fome. Assim, a Conferência do
Meio Ambiente tem papel importante na conscientização da realidade da fome no
mundo.
A respeito da temática da fome,
temos a Escola Estadual Gregório Bezerra e seus nonos anos que se envolveram e
promoveram na Conferência do Meio Ambiente uma palestra sobre a fome no mundo e
o que podemos fazer para diminuir a situação da fome em nosso planeta. É
realidade certa que a humanidade passa algum tipo de fome, seja esta a fome
oculta ou a fome aberta. Fome oculta é o termo que se usa para determinar
quando uma pessoa come somente o básico necessário para sua subsistência
faltando a ele algum tipo de vitamina ou proteína provocando na pessoa o que é
chamado de subnutrição, ou seja, a pessoa não ingere os nutrientes diários necessários
para a sua sobrevivência. Fome aberta é o termo que se dá às catástrofes que
provocam em uma população a total ausência de alimentos, onde o indivíduo não
tem a possibilidade de se alimentar levando esta pessoa ao óbito – essa
situação de fome aberta ocorre muitas vezes em situações de guerras entre
países, catástrofes ambientais ou guerra civil. Os alunos dos nonos anos fizeram pesquisas
sobre essa problemática. Eles desenvolveram uma palestra de conscientização e
através da tecnologia apresentaram para os pais, mães, responsáveis e
comunidade, uma demonstração, através de slides, sobre o que é a fome no mundo
e suas consequências políticas nas nações. Os educandos aprenderam que a fome
não é uma questão fatídica, mas a mesma é um resultado da má distribuição dos
recursos alimentícios ao redor do mundo de forma igualitária para todos. Os
alunos viram onde a fome é mais endêmica, mais profunda e aprenderam de forma
consciente que o desperdício pode ser considerado um ato não ético no mundo
atual. A Conferência do Meio Ambiente, logo, tem papel profundo ao abranger
questões importantes que se atrelam às demandas ambientais: guerra,
desperdício, sustentabilidade e fome...
Com essa situação vivida em pleno
século XXI, faz se necessária uma educação que contemple a temática ambiental
em suas mais variadas nuances: uma educação voltada para a paz, voltada para a
valorização das culturas regionais, uma educação voltada para a valorização das
minorias, voltada para a sustentabilidade, voltada para a reflexão sobre o
papel da humanidade neste planeta chamado Terra. Assim, é necessário ressalvar
a importância da escola como espaço reflexivo das problemáticas ambientais, e a
Conferência do Meio-Ambiente tem real importância para uma prática reflexiva e
pragmática sobre as necessidades de mudanças no nosso estilo de vida
conscientizando-nos para uma melhor relação entre os seres humanos e o ambiente
natural onde esta mesma humanidade vive. A Conferência do Meio-Ambiente tem a
possibilidade de reunir docentes, estudantes, gestão e comunidade para
discussão profunda através de oficinas, palestras e reunião de grupos sobre os
problemas ambientais locais da comunidade e globais do nosso mundo; logo, esta
conferência é importante para a escola e para a comunidade.
Concluindo, devemos valorizar as
problemáticas ambientais como sendo nossa responsabilidade, de todos nós.
Devemos promover uma educação constante baseada na ação – reflexão – ação de
todos aqueles que pertencem à nossa comunidade ao longo de todo o ano letivo e
a Conferência do Meio-Ambiente deve ser o ápice de todo um trabalho de pesquisa
e estudos realizados ao longo do ano acadêmico. Só com um trabalho prático de
reflexão poderemos construir uma sociedade mais holística, menos hedonista,
onde os recursos naturais e a vida em suas mais variadas formas não sejam
olhadas mais como bens de consumo – onde a espécie humana seja uma espécie que
cuide do globo, pois este planeta é a nossa casa.
Cristiano Lima
Professor/Tradutor
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